Você é Otimista ou Pessimista?

Fotos por Andi Jetaime & eltpics – Flickr

Pare para pensar um pouco sobre como você é.

Você se considera uma pessoa otimista ou pessimista?

Muito provavelmente você têm uma opinião sobre você mesmo com relação a isso e pode responder esta pergunta.

Mas será que o que você acha de você mesmo realmente corresponde à realidade?

Existe uma forma de medir o otimismo e o pessimismo.

Primeiro pense em algum evento da sua vida que deu errado.

Pode ser qualquer coisa.

Por exemplo, bateu o carro, perdeu o emprego, não passou numa prova (concurso, vestibular etc.), separação, briga com alguém, um projeto que não deu certo, dificuldade financeira etc.

Também pode ser uma simples adversidade do dia a dia, como por exemplo, a pia está cheia de louça para lavar, furou o pneu do carro, alguém com que você quer falar não atende etc.

Escolha pelo menos 3 eventos desses e então escreva o que você pensou sobre esses eventos na hora que ocorreram. Qual o motivo de terem dado errado.

Agora inverta a situação escolhendo três eventos que deram CERTO na sua vida e escreva uma explicação do porque você acha que cada um deu certo.

Agora que você fez o exercício vamos descobrir como podemos analisar se você têm um perfil otimista ou pessimista.

Estilos explanatórios

Psicólogos identificaram que o otimismo e pessimismo de uma pessoa está em como uma pessoa explica eventos passados da sua vida [1].

Tanto eventos que não deram certo, quanto eventos que deram certo.

Essa análise é feita em três aspectos diferentes: pessoalidade, permanência e abrangência.

1) Pessoalidade

Quando você explica a si mesmo um evento passado da sua vida existem duas possibilidades quanto à pessoalidade. Ou você atribui o resultado a si mesmo ou a algo externo (outra pessoa ou evento externo).

Por exemplo, vamos dizer que você tenha batido o carro.

Você pode dizer algo como “Eu sou um desatento mesmo. Como não percebi que aquele carro estava vindo?!”.

Essa é uma explicação extremamente pessoal. Você está colocando o erro do evento em você mesmo.

Agora, vamos dizer que você pense de outra forma explicando o acidente da seguinte forma:

“Foi o outro motorista que me fechou.”

Você não está colocando a culpa em si, mas sim em algo externo (o outro motorista).

As pessoas pessimistas tendem a colocar a culpa em tudo que acontece em si própria. Mesmo quando a culpa não é sua e sim relativo a um evento externo.

Alguns outros exemplos:

– Numa situação de dívidas a pessoa se explica dizendo “Não sei lidar com dinheiro” (pessoal e pessimista) em vez de “A crise me pegou” (externo e otimista).

– Numa briga com os filhos diz “Sou uma péssima mãe” (pessoal e pessimista) em vez de “Essa bagunça me irritou” (externo e otimista).

– Não passa na prova de concurso público porque errou algumas questões de matemática e se explica dizendo “Não entendo nada de matemática” (pessoal e pessimista) em vez de “Esse tipo de questão não foi abordada no curso preparatório” (externo e otimista).

Agora volte nos textos que você escreveu explicando os eventos que não deram certo na sua vida.

Leia atentamente o texto que você escreveu e procure identificar o padrão acima.

Você têm uma tendência de colocar culpa em você mesmo pelos eventos mal sucedidos da sua vida ou geralmente você encontra uma razão externa?

Se você encontra um motivo externo, você têm um estilo otimista no quesito da pessoalidade. Por outro lado, se você culpa a si mesmo, seu estilo explanatório é pessimista.

Agora veja como analisar eventos que deram certo.

É justamente o oposto.

Se você atribui o sucesso a você mesmo, você está apresentando um estilo otimista.

Por outro lado, se você atribui o sucesso a algo externo, você está apresentando um estilo explanatório pessimista.

Por exemplo:

– “Passei no concurso devido ao meu esforço e mérito” (pessoal e otimista) em vez de “Só consegui passar no concurso porque tive bons professores no cursinho preparatório.” (externo e pessimista).

– “As vendas da minha empresa estão indo bem devido à nova campanha de marketing que implantei” (pessoal e otimista) em vez de “As vendas da minha empresa estão indo bem pois a economia se recuperou” (externo e pessimista).

– “Ganhei o jogo de tênis devido as horas e horas que treinei” (pessoal e otimista) em vez de “Ganhei o jogo de tênis porque o adversário estava cansado” (externo e pessimista).

Agora veja o que você escreveu em relação aos eventos que deram certo na sua vida. Seu estilo explanatório é otimista (pessoal) ou pessimista (externo)?

2) Abrangência

Um outro aspecto do estilo explanatório é a abrangência. Você pode explicar os acontecimentos passados de forma específica ou abrangente.

Por exemplo, se ao bater o carro você disser “Eu sou um desatento mesmo.” você está dando uma explicação abrangente para o evento pois essa é uma explicação que acaba servindo para qualquer outra coisa da sua vida.

Com esse tipo de auto-explicação você vai acabar pensando que é desatento com outras coisas da sua vida também. Ou seja, é uma explicação abrangente e pessimista.

Por outro lado, se você disser “Foi o motorista que me fechou” você está sendo específico.

Na sua interpretação, o infortúnio diz respeito exclusivamente ao acontecimento da batida do carro e não têm relação com qualquer outra coisa da sua vida.

Portanto, essa explicação específica é muito mais otimista.

Alguns outros exemplos:

– Numa situação de dívidas a pessoa se explica dizendo “Não sei lidar com dinheiro”.

Essa é uma explicação abrangente pois se aplica a qualquer outro momento da sua vida em que você precisa lidar com dinheiro.

Por outro lado, se você disser “Foi a compra do carro novo que fez eu entrar num financiamento na hora errada.” você está apresentando um estilo explanatório mais otimista pois a explicação diz respeito exclusivamente ao evento da compra do carro.

– Se na briga com os filhos você diz “Sou uma péssima mãe”, essa é uma explicação abrangente pois se aplica a outros momentos da sua vida de mãe.

Significa dizer a si mesma que você é uma péssima mãe nesta e em todas as outras situações também.

Por outro lado, se você explica o evento dizendo algo como “Essa bagunça me irritou” você está sendo específica.

Foi a bagunça e não outra coisa. Ou seja, na hora de ensinar os temas para as crianças você pode ser uma boa mãe.

– Se ao falhar na prova de concurso público você se explica dizendo “Não entendo nada de matemática” essa é uma explicação abrangente porque você está dizendo a si mesmo que não será capaz de usar matemática adequadamente em outras situações da sua vida, por exemplo, no controle das suas finanças pessoais.

Portanto, essa é uma explicação pessimista.

Por outro lado, se você disser “Equações de 2º grau não foram abordadas em detalhe no cursinho preparatório” você está sendo bem específico dizendo que o seu problema é com equações de 2º grau.

Ou seja, é uma explicação bem mais otimista pois não afeta como você se sentirá com relação a outras atividades que envolvem matemática na sua vida como, por exemplo, controle das suas finanças pessoais.

Agora dê uma olhada nas suas explicações para os eventos negativos da sua vida. Você explicou de forma abrangente e pessimista ou específica e otimista?

Agora analise as suas explicações para os eventos positivos da vida.

Basta usar o raciocínio contrário. Quanto mais específico for o motivo do seu sucesso, mais otimista é a sua explicação. Por outro lado, quanto mais abrangente for a explicação, mais pessimista é.

3) Permanência

Por fim, o terceiro aspecto do estilo explanatório é a permanência. Você pode explicar os eventos do passado como permanentes ou transitórios.

Por exemplo, se ao bater o carro você diz algo como “Eu sou um desatento mesmo.” Você está dando uma explicação permanente. Isso porque você diz “sou”.

Ou seja, você está dizendo a si mesmo que era, ainda é e continuará sendo. Ou seja, extremamente pessimista.

Agora, se você pensar da seguinte forma “Foi o outro motorista que me fechou.” Não é nada permanente. Foi um evento que ocorreu naquele dia e portanto não afeta sua vida futura. Bem mais otimista.

Outros exemplos:

– “Não sei lidar com dinheiro” (permanente e pessimista); “A crise me pegou” (transitório e otimista).

– “Sou uma péssima mãe” (permanente e pessimista); “Essa bagunça me irritou” (transitório e otimista).

– “Não entendo nada de matemática” (permanente e pessimista); “Esse tipo de questão não foi abordada no curso preparatório” (transitório e otimista).

Quando o seu estilo explanatório para eventos passados toma a forma de pessoal, permanente e abrangente (“É minha culpa”, “Vai ser sempre assim”, “Vai afetar tudo o que faço”) você se torna uma pessoa pessimista em relação ao futuro.

Você acha que porque “Vai ser sempre assim” você não conseguirá mudar.

Como você se sente com culpa você não vai querer tentar novamente no futuro com medo de errar outra vez.

E se você acha que afeta tudo o que faz não têm ponto em fazer outra coisa pois vai dar errado mesmo.

Por outro lado, se você explica eventos passados sem pessoalidade (o ocorrido foi em função de um fato externo), sem permanência (aconteceu só nesse momento) e sem abrangência (não afeta outros aspectos da sua vida) você estará lidando com a adversidade de forma mais positiva sem deixar que ela influencie no seu futuro tornando você uma pessoa mais otimista.

Referências
[1] Seligman, Martin E.P.. Learned Optimism: How to Change Your Mind and Your Life.

E se você quer aprofundar o seu aprendizado no tema dá uma olhada no Guia Positividade.